Sobre mídias sociais e direção de arte – parte 1

As mídias sociais, com suas várias postagens diárias, despertaram a necessidade da criação de conteúdo com uma frequência absurdamente maior do que tudo já feito na área de comunicação.

Não precisamos ir longe: apenas pense nos mais de 1bi de usuários do facebook publicando diariamente. Agora expanda isso para outras mídias sociais, como twitter e pinterest, por exemplo. Torna-se praticamente impossível monitorar em tempo real tudo o que é produzido e acumulado atualmente.

Considere uma marca hipotética que tenha um twitter e um facebook, o pacote básico, com 2 posts diários por canal. Isso nos dá 740 postagens por ano para cada um deles, alcançando um total de 1480 posts. Vale ressaltar que é preciso produzir texto + imagem (até pouco tempo twitter era apenas texto) sempre guiado pelo que a marca é e dependendo de aprovações, sem perder a originalidade.

Manter um nível adequado de qualidade sempre alto por 365 dias com um grande volume de publicações para diferentes canais torna-se um desafio para toda a equipe, de quem produz até quem aprova. Imagine uma agência que atende não uma mas 2, 5, 20 marcas com esse mesmo nível de necessidade.

Dessa maneira pretendo desenvolver uma série de posts debatendo sobre os diversos desafios do diretor de arte de mídias sociais, considerando conhecimentos, equipe, canais e feedback de clientes.

1. parte: Introdução 

2. parte: O ambiente do usuário de mídias sociais

3. parte: O ambiente do diretor de arte de mídias sociais

4. parte: Creative Commons

5. parte: Pesquisa de imagens

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produção de linguagem e ideologia – resenha e opinião

Um dos divisores de água de minha experiência literária, Produção de Linguagem e Ideologia foi um dos primeiros livros teóricos que me levaram a uma pesquisa árdua em busca de novas terminologias e significados graças a seu teor e vocabulário muito acima da minha compreensão na época, início da faculdade.

Lucia Santaella aborda, ao longo da obra, a base da semiótica peirciana, explorando minuciosamente cada uma das três categorias: primeiridade, secundidade e terceiridade. Boa parte do livro, entretanto, se dirige a explicar a qualidade-de-sensação ou qualidade-de-sentimento, o qual é gerado no exato instante que o fenômeno, até então um signo desconhecido ao intérprete, toca a mente. Não é um conceito fácil de se compreender, tendo em vista sua abstração e unicidade e, principalmente, pureza, a qual logo é corrompida pelo julgamento – a então secundidade. O resultado desse julgamento é o significado dado pelo intérprete para o fenômeno.

A leitura é complexa, mas bastante válida, e recomendo para qualquer interessado/amante/estudioso da semiótica.

Infelizmente, até onde sei está esgotado no mercado, sendo possível encontrar apenas em sebos, com alguma sorte. (o meu comprei há quase dez anos, em um sebo)

Mais informações sobre o livro.

 

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inconsciente e responsabilidade – resenha e opinião

Sempre gostei de leituras e temas desafiantes. Por intermédio de uma amiga, conheci (um pouco, diria até bem pouco) Lacan. Resolvi me arriscar e ler um livro de um psicanalista brasileiro, um dos maiores pesquisadores sobre ele, Jorge Forbes.

A surpresa foi grande. Apesar de uma linguagem bastante “suave”, se comparado com outros autores da área, Forbes é dono de uma densidade ímpar. Consegue argumentar um contexto simples para explicar algo bastante complexo, nos levando a questionar certos status quo.

Em seu livro, Inconsciente e Responsabilidade, Forbes debate sobre a geração do agora, que vive plenamente sua liberdade, muitas vezes se eximindo de suas responsabilidades, colocando a culpa no “inconsciente” (“mas eu não sabia o que estava fazendo”, ou “isso deve ser por causa de alguma influência de meus pais, não é meu”, e assim seguem os exemplos).

Ele sugere que é preciso sim assumir a culpa dos atos inconscientes, pois é possível termos consciência deles, e caso o analista não os considere em sua análise, os sintomas não podem ser tratados em sua raiz.

Estou longe de ser um expert em psicanálise, estando mais próximo de um apaixonado pela diversidade do conhecimento e do que ele pode trazer de aprendizado, por isso não utilizo qualquer terminologia e não me arrisco a ir além neste assunto, mas arrisco a dizer que é possível entender um pouco mais a geração dos jovens de agora com Lacan, principalmente no aspecto da reprodução e reverberação inconsciente de conteúdo e informações, e de como eles reagem/interagem com isso.

Mais informações sobre o livro.

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o heroi de mil faces – resenha e opinião

Joseph Campbell foi um dos mais famosos pesquisadores de mitologia e religião comparada. Mas eu não sabia disso até ler O Heroi de Mil Faces.

O livro é bastante denso e rico em conteúdo. Possui parágrafos rápidos, mas alguns que precisam ser relidos várias vezes, pela riqueza de detalhes e informação.

Campbell trata nesta obra sobre as semelhanças entre as diferentes mitologias ao redor do mundo, e não sobre suas diferenças. Dessa maneira, encontra símbolos que possuem significados parecidos ou até mesmo idênticos, ou ainda, de que maneira histórias influenciam determinados comportamentos.

Um dos pontos interessantes de seu estudo é a transferência dos antigos ritos do mundo físico para os sonhos, reforçando que a simbologia que antes era concretizada em rituais hoje prevalece forte e quase inalterada no mundo dos sonhos. Em muitos casos, é possível que [o sonho] se torne recorrente até que a pessoa supere e transcenda sua maturidade emocional.

Outro aspecto bastante interessante é sobre a origem do universo e de tudo que conhecemos hoje como mundo. Há um curioso fato de uma menina que tinha sonhos recorrentes de morte e ressurreição. Ela desenhava todos e, em um natal, presenteou seu pai com eles encadernados. Logo depois, ela morreu. Da análise dos desenhos de seus sonhos observou-se semelhanças com mitologias diversas: cada um dos desenhos representava o nascimento do universo (ou do indivíduo) pela ótica de uma cultura diferente. Em alguns casos era um ovo eclodindo, em outros, uma árvore. Tinha outros mais elaborados, como quatro seres que vinham de quatro direções distintas, os quais representam, em determinada cultura, as quatro faces de deus.

Campbell também traça a jornada do heroi, desde a partida de sua terra natal até seu retorno, com seu aprendizado e crescimento trazendo transformações não apenas para ele, mas para o mundo. Este vídeo é um excelente resumo.

Mais sobre o livro.

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Gramática da Fantasia – resenha e opinião

Conheci parte da obra de Rodari (lê-se Rodári) pelo livro Gramática da Fantasia, no blog do Hiro, um ilustrador que admiro muito pela criatividade e expressão que seus desenhos carregam, sem perder a simplicidade. Neste post comentei sobre o livro, onde discorro bastante sobre meu projeto/pesquisa pessoal referente à criatividade.

Gianne Rodari trabalhou quase toda sua vida com crianças, sempre incentivando a criação livre e espontânea em suas aulas.

Neste livro, cada capítulo é uma sugestão de brincadeira criativa, que busca quebrar os signos do cotidiano em algo novo e surpreendente (coisa que para a maioria de nós, adultos, é difícil, devido ao nosso condicionamento e rotina, mas que para a criança é tão natural quanto respirar).

Por exemplo, um dos primeiros capítulos se chama Binômio Fantástico. É bastante simples todo o processo, e o resultado pode ser surpreendente. Em um primeiro momento, escolhe-se duas palavras ao acaso, que não tenham qualquer relação lógica. Então, apresenta-se as palavras às crianças, para que se crie uma história a partir delas.

No capítulo, Rodari escolhe “cachorro”, enquanto mantém a outra palavra escondida das crianças. Quando a revela, uma explosão de risos toma conta. “Armário”. Aparentemente, não há lógica alguma para nós, mas para a criança, justamente o fato de não existir “sentido” torna o fato surpreendente. Eis então que se inicia a busca pela relação entre as duas palavras. Um cachorro dentro do armário. Um cachorro em cima do armário. (até então, Rodari relata tudo com muito bom humor, inclusive as reações das crianças). Até finalmente chegar em “um cachorro carregando um armário”. Outra onda de risadas. Daí em diante, começam a tecer não uma, mas várias teorias do por que um cachorro carregaria um armário em suas costas. Sua casa? Ele guarda seus ossos ali?

Mas o ponto forte do livro é o último capítulo, no qual ele discorre sobre a importância de se incentivar o pensamento livre, a criação e o poder criativo. Que a criatividade é uma qualidade humana, e não pode ser suprimida, pois fazendo isso, aos poucos o indivíduo morre, pois não cria, e criar é se expressar. E ainda reforça que “criativo” não é apenas o artista e o poeta, mas também a mãe, o advogado, mesmo o dentista.

Recomendo a leitura para qualquer pessoa que trabalhe com storytelling, com educação, com comunicação, com biologia ou administração. Sua simplicidade quebra nossa incapacidade de destruir os signos que já estamos viciados, e nos ensina a recombiná-los em em formas, muitas vezes, mais agradáveis.

Saiba mais sobre o livro.

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Meu

Lá estava eu.
Novamente com aquelas ideias, frias como as noites sem você.
E nem sei quem é você.
Essas ideias me abandonam. Toda vez
que as vejo,
os visito,
tento senti-los,
é a mesma coisa.
As ideias vêm na parca esperança de conseguir resolver o mundo. O mundo
deles.
Que também é
meu.
Meu.
Será mesmo?
Nessas horas de impotência, me questiono até onde vai
o “meu”.
O seu.
Vê-los sofrendo e querer resolver. E não conseguir.
Não poder. Então elas surgem.
As ideias.
Vindas de lá, daquele lugar onde uns chamam de coração, outros de espírito.
Eu passei a chamar de nada.
Pois nada do que sai dali resolve, de fato, os sofrimentos.
Talvez seja por que uso isso como uma fuga,
para justificar minha existência.
Ou pela culpa que carrego, por não ser como eles.
Eles sabem disso. Mas ignoram.
Tento fazer como eles, mas já vivi tempo demais essa mentira.
E a exaustão de interpretar esses personagens, apenas pra não provocar mais sofrimento, está no limite.
Aí vem as ideias.
Elas, sutis, traiçoeiras.
Criam novos mundos em mim, me fazem acreditar que são reais. Certo, concreto como a dor do nada.
E então somem, e deixam a saudade criar desculpas para o impossível.
Desculpas que levam a crer que preciso de você.
Quem é você?
Onde você foi?
Onde posso te encontrar?
Quero conhecer seu mundo, por que o meu já perdeu a graça. E não importa quantas ideias criem desculpas impossíveis, meu mundo continua o mesmo. Por que meu mundo também é o mundo deles,
não é?
E o mundo deles não munda.
Eles criam personagens, inventam seus mundos e neles atribuem um papel que não quero pra mim.
Será que não veem que estão apenas aumentando o sofrimento? E que se não tomarem cuidado, as ideias venenosas deles destroem e secam os outros mundos? O MEU mundo?
Ninguém realmente se importa.
O fato é que ninguém
realmente
se importa.
Tem certeza?
Lá vem você de novo. Nem existe, é só mais uma dessas ideias de desculpas impossíveis. Só te criei pra ter esperanças.
Esperanças.
Sentimento estúpido.
Deixo de viver o presente pela esperança de um futuro.
Ridículo.
A cada dia que passa, mais nada me preenche. Nada.
E está mais forte que as ideias.
Impossíveis. Está impossível respirar nesses mundos falsos com personagens que não me definem.
Respirar.
Até isso doi.
E doi por que me faz lembrar que estou vivo.
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