Sobre mídias sociais e direção de arte – parte 5

1. parte: Introdução

2. parte: O ambiente do usuário de mídias sociais

3. parte: O ambiente do diretor de arte de mídias sociais

4. parte: Creative Commons

5. parte: Pesquisa de imagens


Finalmente, chegamos ao último post da série “Sobre mídias sociais e direção de arte”,

Uma produção de fotos com um excelente profissional não sai barato, salvo exceções de grandes marcas que têm condições para tal. A velocidade exigida pelas mídias sociais não deixa tempo para grandes produções e, no ambiente virtual, os bancos de imagem ganharam notoriedade, com preços e qualidade bastante variados. E isso influencia diretamente na qualidade do material, ainda mais se o cliente não quiser/não puder investir em um bom banco de imagens.

Além de escolher o banco, encontrar imagens que se adequem ao perfil da marca, ao público e à realidade do nosso país tornam a tarefa bastante angustiante, já que muitos deles são internacionais e seus modelos, também (mesmo que tenha idioma em português). Outra coisa bastante importante: utilizar banco de imagens é correr o risco de ver uma mesma imagem utilizada por diferentes marcas, coisa que não acontece se existe verba pra bancar produção própria.

Quando trabalhei como diretor de arte para mídias sociais nosso maior desafio era encontrar fotos não apenas de acordo com a identidade da marca e do público, mas que também agradassem ao cliente, o atendimento e os envolvidos na criação. Calcule esse nível de preocupação relacionado à quantidade de postagens mencionadas anteriormente, apenas hipoteticamente. Em algumas agências, multiplique isso por alguns muitos clientes. O tempo se torna escasso (eu sei, já falei muito sobre isso, mas é uma realidade e que influencia muito nosso dia a dia).

Por isso é importante, antes de pesquisar, listar palavras-chave as quais traduzem o conceito da imagem desejada e ter bem definido o perfil do público, para não correr riscos de escolher fotos com modelos diferentes desse perfil. Os sites de bancos de imagens possuem mecanismos de busca (alguns melhores do que outros) por palavras-chave, por cores, elementos, tamanho, autor e uma série de outros filtros. Antes de partir direto pra busca, pense um pouco, estruture a ideia de post para direcionar a criação, poupar tempo e otimizar resultados.

Espero com essa série de posts ter contribuído, mesmo que minimamente com breves pensamentos e experiências, sobre o processo criativo e direção de arte para mídias sociais. =)

E para quem quiser se aprofundar em direção de arte pode consultar esta apresentação, a qual utilizo em minhas aulas e cursos.

Publicado em mídias sociais | Marcado com , , , , , | Deixe um comentário

Sobre mídias sociais e direção de arte – parte 4

1. parte: Introdução

2. parte: O ambiente do usuário de mídias sociais

3. parte: O ambiente do diretor de arte de mídias sociais

4. parte: Creative Commons

5. parte: Pesquisa de imagens


 

Na semana passada comentamos, brevemente, sobre os ambientes tanto do usuário de mídias sociais como do d.a. que atua nessa área. Há, no entanto, muito mais coisas na internet do que podemos imaginar, e tudo isso implicou em uma série de novos comportamentos e ruptura de antigos valores, antes considerados absolutos e inabaláveis. Um desses valores foi o copyright. Em um ambiente como a web, onde qualquer um pode publicar o que quiser e se apropriar de qualquer coisa que encontra, é difícil – pra não dizer impossível – manter o controle sobre suas próprias criações.

Negar essa realidade em constante mudança é um risco o qual não podemos correr.

Traçando um paralelo com todas essas possibilidades de apropriação de conteúdo e de meios de produção, mais uma vez a velocidade se torna um fator importante e criar conteúdo contra o tempo se torna uma rotina: pesquisar, criar legendas, procurar por fotografias e/ou ilustrações, editar, produzir a imagem, preparar o post, enviar para aprovação (fazer alterações) e publicar. Tudo isso, muitas vezes, em um curto espaço de tempo e sempre inserido na estratégia da marca, sem se distanciar da identidade visual já estabelecida.

Por isso, antes de se produzir o conteúdo de fato é imprescindível a construção de uma estratégia junto do planejamento, além da definição de conceitos com a função de guiar a produção diária, com termos-chave, cores-padrão e uma ou duas fontes pré-determinadas.

Porém, quando o conteúdo envolve/precisa de fotos ou ilustrações o d.a. sabe que o tempo, muitas vezes, não permitirá que ele crie/desenvolva do jeito que acredita ser o essencial e mais adequado para aquela situação. E é nesse instante que os bancos de imagens (pagos ou gratuitos) se tornam uma das mais poderosas (divertidas e confusas) ferramentas.

De acordo com o poder da marca, produzir fotos está fora de cogitação ($$). Se o d.a. entender de fotografia e quiser arriscar produzir as fotos (como ocorre muitas vezes), ele tem a oportunidade de ter mais controle sobre aquilo que cria, e destinar o tempo de pesquisa em bancos de imagem para produção dirigida a fim de alcançar o resultado que quer.

Mas, ainda falando dos bancos de imagem, não é toda marca e/ou agência que tem condições de pagar uma mensalidade ou de comprar imagens com frequência, e entender – minimamente – de CC – Creative Commons e de como utilizar bancos gratuitos pode salvar o conteúdo e o dia da equipe.

Além do creative commons podemos encontrar o copyleft e o domínio público, todos permitindo apropriação de conteúdo, porém cada um deles com seus termos de uso próprios.

É interessante notar que a cada dia mais pessoas e instituições estão aderindo a ideia de conteúdo livre. Há algum tempo o flickr, por exemplo, já permite aos seus usuários determinarem o tipo de licença em CC que querem destinar às suas produções. O próprio google, na pesquisa por imagens, já permite encontrar imagens em algumas das atribuições do CC.

Há, também, vários artistas, usuários e profissionais que disponibilizam seu trabalho para uso livre com atribuição, por exemplo, e com uma rápida pesquisa na internet é possível encontrar vários deles, seja para foto, desenho, áudio ou texto. O Skitterphoto deixa isso claro logo no topo de sua página: license free, high quality photos for anyone to use. O Gratisography também possui fotos gratuitas e de alta qualidade.

No Brasil, temos o Fotos Públicas, fornecendo imagens para qualquer coisa, menos para fins comerciais.

Por isso, não existe desculpas para não produzir caso o cliente não tenha verba o suficiente para bancar um banco de imagens pago, como este ou este. Tem que arregaçar as mangas, pesquisar e criar. :)

Publicado em mídias sociais | Marcado com , , , , , | 1 comentário

o poder do mito – resenha e opinião

Geralmente, quando faço alguma resenha aqui é sobre um livro, porém achei interessante expandir as possibilidades, já que a internet nos traz todo tipo de conteúdo, nos mais variados formatos.

Há algum tempo falei sobre uma das obras de Joseph Campbell, o Heroi de mil faces, e agora volto a falar dele, porém de um documentário no qual participou pouco antes de sua morte, onde comentou, ao longo de seis episódios, sobre O Poder do Mito.

A Saga do Heroi: no primeiro episódio, Campbell comenta sobre o monomito, a jornada do heroi, as semelhanças entre mitos e seu papel na sociedade. Quem é o heroi e como ele influencia o meio, o pensamento e a própria existência?

Os Primeiros Contadores de Histórias: na sequência, ele argumenta sobre quem foram os primeiros a repassar adiante as histórias, os responsáveis por perpetuar, oralmente e, posteriormente, por desenhos e pela escrita, verdades, dogmas, crenças e valores morais e éticos, que influenciam nossas vidas até hoje.

A Mensagem do Mito: afinal, para que serve o mito? Qual a intenção escondida por trás de uma história? O que os antigos deuses e herois têm para mostrar? Quais verdades se enveredam por entre as intrincadas relações do divino com a existência?

Sacrifício e Felicidade: neste episódio, Campbell aborda os diferentes ritos antigos e o que pretendiam alcançar.

O Amor e a Deusa: se o que buscamos, em nossa existência, é a felicidade, qual é a função do mito senão a de funcionar como um guia?

Máscara da Eternidade: e, finalmente, no último episódio, a eternidade, muitas vezes prometidas nas histórias ou apenas uma dádiva dos deuses. O que é ser eterno?

Apesar de longo (aproximadamente 6h), o documentário oferece uma boa variedade de informações sobre a pesquisa de Campbell, enaltecendo diferenças, semelhanças e o papel do mito em nossas vidas.

Publicado em resenha | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

Sobre mídias sociais e direção de arte – parte 3

1. parte: Introdução 

2. parte: O ambiente do usuário de mídias sociais

3. parte: O ambiente do diretor de arte de mídias sociais

4. parte: Creative Commons

5. parte: Pesquisa de imagens


 

É sabido, por boa parte do mercado publicitário, da fama que antecede os criativos (geralmente em relação ao seu gênio e não apenas sobre suas potencialidades criativas), porém vou me reter aqui a falar sobre as competências que acredito serem necessárias para um d.a.

Tolerância e paciência deveriam ser ensinadas na faculdade, além do fato de que tudo que se cria em uma agência nunca é ‘para nós’, e sim sempre para outro (geralmente, uma marca que quer lucrar). Antes de ficar boa, uma estratégia precisa passar por uma série de processos até estar apta para ser apresentada ao cliente, defendida e então, veiculada. Logo: a refação é uma realidade, e estará presente em alguma das fases, se não em todas.

Em mídias sociais, no entanto, a refação não pode ser uma constante. No primeiro post da série, comentamos um pouco sobre essa realidade, sobre a quantidade absurda de trabalho, considerando-se apenas uma marca e alguns canais. Se manter criativo é um trabalho árduo, que exige trabalho em equipe e aceitação de que não dá pra ser genial o tempo todo, mas dá pra ser assertivo na maior parte do tempo.

Então, recomendo para um d.a. de mídias sociais:

  • esteja alinhado com o planejamento da marca (tanto do cliente como o feito pelo time de planners de sua agência);
  • tenha sempre em mãos o manual de identidade visual da marca (i.d.);
  • crie (e identifique) padrões – cores, fontes, estilos de imagens – sempre alinhado com a i.d. da marca e mude-os periodicamente;
  • esteja alinhado com o atendimento, ele está sempre em contato com o cliente e (em tese) o conhece melhor que ninguém na agência;
  • leve em consideração separar um tempo em sua agenda para acompanhar o trabalho da equipe de monitoramento, principalmente seus relatórios, para ver os números comprovarem o que funciona;
  • e talvez o mais importante, depois de estudar e pesquisar muito: respire fundo e aceite críticas. Procure entender a origem delas e ver se fazem sentido, para então identificar possíveis ruídos na comunicação.

O d.a. é um dos profissionais, ao lado do redator, que condensa boa parte do trabalho de toda a equipe de uma agência, pois depois deles entende-se que o trabalho está muito mais próximo de se concretizar, logo é uma das partes que mais sofre as consequências de uma estratégia mal construída e de uma equipe mal alinhada (sem o mérito aqui de falar sobre as consequências para o cliente). Mas também pode ser ele a identificar onde estão essas falhas e auxiliar em sua solução.

 

Publicado em mídias sociais | Marcado com , , | 2 Comentários

Sobre mídias sociais e direção de arte – parte 2

1. parte: Introdução 

2. parte: O ambiente do usuário de mídias sociais

3. parte: O ambiente do diretor de arte de mídias sociais

4. parte: Creative Commons

5. parte: Pesquisa de imagens


Em algum momento de nossas vidas profissionais, aprendemos a importância de se considerar as características do público, antes visto como uma massa uniforme e sem opinião, descriminados e catalogados em diferentes grupos de classe, cor, credo, etc. A internet possibilitou (frequente e clichê, porém uma afirmação real), uma análise muito mais assertiva e “próxima” da realidade, boa parte em virtude das mídias sociais. (para aprender mais, veja este material produzido pela Social Figures)

Vale considerar, contudo, que nosso comportamento também se adaptou (e continua em constante mudança), e há hoje muito mais poder de opinião e feedback em tempo real do que jamais tivemos. É importante também notar que quando falamos em “ambiente” não podemos nos limitar a uma análise de um recorte específico, como por exemplo considerar apenas o facebook, como se fosse a única janela aberta.

Para fazermos algo, um outro algo deixamos de fazer, logo: o que o usuário vai deixar de ver (e consequente e/ou possivelmente, interagir com) para se dedicar a sua mensagem? O que ela tem de diferente?

A frase “menos é mais” tem sua valia, principalmente na comunicação. Deixar somente o que é essencial na mensagem para potencializar seu resultado:

  • texto (palavras, sintaxe, frases, títulos, legendas, slogans, a própria marca); e
  • imagem (ilustração ou foto [e tudo que ela possui: cores, cenário, pessoas ou o próprio texto como imagem])

e relacioná-la com o contexto (a mídia): considerar as cores da mídia social em questão; a quantidade de informação que há em sua interface; o usuário pode ter várias abas abertas, música tocando, estar no trabalho ou em casa (e esses ambientes possuem seus ruídos também); possibilidade do conteúdo ser visto via mobile (e aqui as possibilidades vão muito além).

Criar, sem pensar no ambiente do usuário, pode prejudicar a efetividade da ação, por isso deve-se considerar a simplicidade no conteúdo aliado a estratégia da marca, promovendo o relacionamento e interação: poucas cores, textos sucintos (menos palavra e mais informação), usar a tríade imagem-legenda-tipografia se complementando, e não se repetindo.

Quanto menos ruído na mensagem, mais possibilidades de ser notada em meio ao caos de um ambiente hipotético de um usuário com a atenção dividida.

Gostaria de me estender mais, porém o objetivo desta série de posts é traçar um mapa, ainda que breve, sobre o que envolve, direta e indiretamente, o trabalho do diretor de arte.

Publicado em mídias sociais | Marcado com , , , , | 3 Comentários

a ordem do discurso – resenha e opinião

Sempre fui um apaixonado declarado pela semiótica. Contudo, ainda não conhecia (não havia me aventurado, por assim dizer) em tantas outras (tão atraentes quanto ela própria) disciplinas. Felizmente este ano consegui ingressar, como aluno especial, na Pós-graduação em Estudos Interdisciplinares Latino-Americanos, na Unila, onde, apesar de ter iniciado recentemente, um mundo novo de experiências e referências se apresenta.

E lá, na primeira aula, tive meu primeiro contato com Foucault, nome que sempre vi em bibliografias e citações porém  sem nunca me aprofundar.

Logo de cara uma das leituras solicitadas foi A Ordem do Discurso, aula inaugural de M. Foucault no Collége de France (ou aqui, em português).

Ali, naquelas páginas, tive a oportunidade de conhecer uma de suas pesquisas, sobre a relação que há entre poder e discurso, do discurso ser um objeto de poder ao mesmo tempo que fala (pode falar) sobre ele; de como as instituições, ao longo de nossa história, corroboraram ‘verdades’, as quais prevaleceram (e algumas ainda prevalecem), sem serem questionadas.

“(…) suponho que em toda sociedade a produção do discurso é ao mesmo tempo controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certo número de procedimentos que têm por função conjurar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento aleatório, esquivar sua pesada e temível materialidade.” (1996, p. 8 e 9)

Seria inocência crer que os discursos são livres de intenções, seja por parte do indivíduo ou grupo que o emite. Em nossa ‘sede pela verdade’ (por ele chamada de vontade de verdade), necessitamos encontrar um enunciado que seja verdadeiro, compactuando assim com a existência de falsos discursos.

Eu poderia me arriscar a dizer mais, mas considero ser cedo demais para discorrer tão avidamente sobre Foucault e sua obra sem antes me aprofundar, de fato, em sua pesquisa.

A Ordem do Discurso; EDIÇÕES LOYOLA, São Paulo, Brasil, 1996.

Publicado em resenha | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

ferramentas, direção de arte e subjetividade

Os alunos reunidos, já no fim do dia, juntamente com Camila Giacomeli, fundadora e administradora do Iguassu Coworking.

Recentemente (09/08) fui convidado pelo Iguassu Coworking para ministrar um curso rápido sobre Direção de Arte, aqui em Foz. Marcaram presença mais de 20 pessoas de várias localidades da região: Francisco Beltrão, Umuarama, Toledo, Cascavel, Cidade do Leste (PY) e, claro, Foz.

Das 9h às 18h foram abordados diversos aspectos que permeiam a direção de arte, desde a intenção do cliente em criar algo até todo o processo de troca de mensagens, quando finalmente chega o pedido de trabalho para o D.A.

Entre outros temas, foram comentados aspectos subjetivos – quase inconscientes – do processo comunicativo que influenciam na construção/interpretação de um layout. Qual o ambiente da mensagem? Quem são os indivíduos que emite/constrói/recebe? Considerar as diferenças para elaborar um discurso eloquente, objetivando o sucesso da comunicação do cliente ou, conforme a situação, evitar que os ruídos atrapalhem.

Outro debate abordava a importância de se entender princípios de criação para não deixar uma ferramenta limitar capacidades e possibilidades. Muita coisa foi criada antes dos programas da adobe, e entendê-los como ferramentas e não como fins ou único meio viável é imprescindível nos processos subjetivos da criatividade.

Os participantes, para criar, não poderiam recorrer a um computador. Precisavam se virar com lápis e papel.

Porém, para dar suporte a toda teoria, duas atividades foram passadas em momentos diferentes: a primeira, ainda na parte da manhã, tinha como intenção a análise, o debate e desconstrução de um projeto gráfico aleatório (cartazes, flyers e folders foram distribuídos para isso). Os alunos precisavam identificar onde a comunicação falhou (e SE falhou, de fato), identificar quais os aspectos fortes do layout e onde poderia melhorar.

Em um segundo momento, cartões coloridos, cola, tesoura, sulfite e lápis foram disponibilizados para a reconstrução das peças gráficas debatidas anteriormente, sem utilizar, em hipótese alguma, o computador (poderiam, contudo, [re]utilizar a peça original como bem entendessem).

 

Houveram aqueles mais ousados, que construíram bonecos elaborados se utilizando de quase todos os materiais disponíveis.

Haviam pessoas de diversas áreas: jornalistas, TI, estudantes de comunicação, aspirantes, diretores de arte e administradores. Observar profissionais tão diferentes interagindo entre si, debatendo possibilidades e condensando processos, questionando resultados e [re]fazendo o projeto gráfico apenas com as ferramentas fornecidas ali.

Veja aqui o conteúdo utilizado no curso e as referências que deram base para sua formatação.

 

 

 

Publicado em aula | Marcado com , , | Deixe um comentário